
Por via das dúvidas
Cândida precisava cortar o cabelo.
O problema era: quando?
Lua Crescente, para o cabelo crescer mais rápido.
Lua Cheia, para ganhar volume.
Lua Minguante, para cuidar da saúde dos fios.
Entrou em crise.
Não podia simplesmente cortar o cabelo. Era preciso escolher a lua certa.
Foi então que se lembrou de mais uma coisa.
A tinta.
Queria mudar a cor.
Lua Nova.
Pronto. Agora só faltava descobrir em qual fase da Lua deveria viver.
Finalmente escolheu o dia e saiu para o salão.
Abriu a porta de casa e deu de cara com uma escada encostada no poste. Lá em cima, um
homem mexia na fiação.
Cândida pulou para o meio-fio.
Ser atropelada seria menos grave que passar debaixo de uma escada.
Na pracinha, uma joaninha pousou em sua mão.
Sorte!
Continuou seu caminho, feliz da vida, até que uma rajada de vento veio de repente.
Fez uma careta.
Ou quase.
Segurou a expressão no meio.
Melhor não arriscar ficar daquele jeito para sempre.
Na esquina, sentiu a orelha esquentar.
Alguém estava falando dela.
Só podia ser uma das amigas para quem contara que mudaria o visual.
Inveja.
Procurou um banco de madeira debaixo da marquise do ponto de ônibus e bateu três
vezes.
Pronto.
O azar estava avisado.
Chegou ao salão.
A porta estava destrancada.
Entrou?
Não.
Tocou a campainha.
Era importante que a dona do salão abrisse a porta. Só assim garantiria que seria bem-
vinda na próxima vez.
Sentou-se na cadeira.
Antes de começar, fez um pedido à estrela cadente que fotografara na noite anterior.
Cruzou os dedos das mãos.
Depois, os dos pés.
Respirou fundo.
E entregou suas madeixas aos astros.
O resultado?
Está na ilustração.























